Opinião do Especialista

Democracia, povo e islamismo (Telius Memoria)

Publicado por Telius Memoria

Há poucos anos o ocidente assistiu a movimentos revolucionários que ficaram conhecidos como “primavera árabe”, que convulsionaram países orientais de língua árabe e que nós, no “lado de cá” do planeta, comemoramos como manifestações de democracia, até porque  estes movimentos sofreram forte influência e pressão do  ocidente que transmitiu a eles suas ideias e noções sobre democracia e liberdade de pensamento o que pode ter refletido nos eventos e na formação de grupos radicais que optaram pela prática de ações terroristas. Talvez seja oportuno tecer algumas considerações que permitam clarear algumas noções e percepções diferentes entre oriente e ocidente.

A noção de democracia é para os árabes islamizados um decalque do ocidente e não tem nenhum sentido prático. Nesta parte do mundo subsistem estruturas milenares clânicas e um papel abrangente da religião, um estatuto de subordinação da mulher e uma hierarquização do poder, exercido de cima para baixo.  O traço fundamental das relações sociais e políticas é a pertença e esta resulta da noção de obediência, fidelidade e subordinação à autoridade do chefe. Isto torna vazia a noção ocidental de cidadania, porque através da pertença e da fidelidade o indivíduo se vê sempre sujeito a outro indivíduo e um grupo está sempre sujeito a outro grupo. Ao observarmos o resultado das revoluções árabes, veremos que elas não mudaram as velhas estruturas que têm como base a família, o clã, a tribo e o exército. São estruturas tribais que ressaltam a tribo, a mesquita, as forças armadas. O povo não é o objetivo, face ao pensamento tribal persistente. As noções inarredáveis são a pertença, a obediência, a fidelidade, a subordinação.  Islamita é o que se submete. A noção ocidental de cidadania não faz sentido. As chaves do poder não estão nas mãos dos partidos políticos e sim nas alianças desta organização social que pode assumir formas diferentes de país a país, face às diferentes interpretações da religião islâmica.

Para nós ocidentais, esta organização é de difícil compreensão e o choque entre as visões é quase inevitável, talvez em razão do pouco conhecimento em geral que temos desta organização multimilenária.

Sobre o autor

Telius Memoria

TELIUS ALONSO AVELINO MEMORIA

Advogado

1965/66 - Delegado de Polícia e Comissário Chefe da Seção de Investigação da Delegacia de Vigilância do Estado da Guanabara (Autoridade Policial Civil)

1967/68 - Diretor da Penitenciária Professor Lemos Brito, da Secretaria de Justiça do Estado da Guanabara.

1972- Eleito Presidente da Associação do Ministério Público do Estado da Guanabara.

1972- Promovido por merecimento ao cargo de Promotor Substituto do Ministério Público do Estado da Guanabara.

1974- Promovido por merecimento ao cargo de Promotor Público do Ministério Público do Estado da Guanabara.

1975/78 - Nomeado Diretor-Presidente da Imprensa Oficial do Estado do Rio de Janeiro (empresa pública). Responsável pela organização do atual Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro. Dispensado a pedido.

1980/81 - Assistente do Procurador Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.

1981/83 - Assessor Jurídico do Secretário de Estado de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro.

1986- Promovido ao cargo de Procurador de Justiça, titular da 3ª Procuradoria de Justiça junto à 1ª Câmara do Tribunal de Alçada Criminal.

1996/2015 -Conselheiro da Associação Comercial do Rio de Janeiro, Membro do Conselho Empresarial de Segurança Pública , Ética e Cidadania.

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