Opinião do Especialista

Chacina em conta gotas (Milton Corrêa)

Publicado por Milton Corrêa

Seis policiais militares foram mortos, no âmbito do estado do Rio de Janeiro, nos primeiros cinco dias do ano. Este é o resultado da ousadia marginal e impressionante grau de letalidade do banditismo, demonstrando uma situação de vulnerabilidade, tanto do policial de serviço, quanto do de folga, num contexto de violência de caráter permanente e sem aparente solução, onde tais agentes de segurança, vítimas em potencial de uma chacina em conta-gotas, encontram-se geralmente em condição de inferioridade tática, surpreendidos pelo elemento surpresa.

    Registre-se ainda que a demanda criminal de hoje é infinitamente superior às estratégias policias de contenção, num aparelho de estado carente de recursos humanos e materiais. É preciso punir com pena em dobro quem mata policial no exercício da função. Mais de 3 mil PMs mortos nos últimos 22 anos no estado são números superiores ao de muitas guerras. Até quando tal barbárie continuará ocorrendo?

    Por outro lado, como o cobertor da Polícia Militar é curto para atender todas as demandas de policiamento ostensivo, cada dia mais necessário, o apoio da Guarda Municipal ao policiamento ostensivo na cidade do Rio, como noticiado, tal e qual já ocorre na Operação Segurança Presente, uma parceria entre a Fecomércio e o governo do estado, com eficiente trabalho preventivo no Centro, Lapa, Aterro, Lagoa e Méier, constitui ação de extrema importância, principalmente no combate aos pequenos delitos e a menores em situação de pré-delinquência, com a necessidade de emprego maior de agentes na orla marítima no período de Verão.

    Medida muito bem vinda. Uma integração em prol de uma maior sensação de segurança. Sem dúvida. À Polícia Militar, com tal apoio, se concentraria mais especificamente na missão de ações preventivas e repressivas de crimes contra a vida, o patrimônio, como o roubo de cargas e veículos, e o tráfico de drogas. Portanto, a parceria público-privada, na segurança do cidadão, se faz por demais necessária e urgente nesse momento, quando se verifica inclusive, uma tendência estatística do aumento do número de delitos. Mãos à obra. A paz social está em jogo.

Sobre o autor

Milton Corrêa

Milton Corrêa da Costa:
Tenente coronel reformado da PM do Rio de Janeiro
Ex-aluno do Colégio Militar do Rio de Janeiro (CMRJ).
Ex-chefe da assessoria técnica e parlamentar da Secretaria de Segurança Pública (1996 a 1998)
Primeiro lugar no Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais da PMERJ (1986)
Primeiro lugar no Curso Superior de Polícia Militar da PMERJ (1994)
Ex- Instrutor da Escola de Formação de Oficias da PMERJ (1987 a 1992)

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