Opinião do Especialista

Casos e situações desviantes (Camilo D´Ornellas)

Publicado por Camilo D´Ornellas

O quadro de desordem social que enfrente o Estado do Espírito Santo no Brasil, nos faz refletir sobre as condições sociais das pessoas que, aproveitando-se da fragilidade no policiamento ostensivo por parte da polícia, iniciou uma série de furtos, roubos e homicídios, numa nítida mudança comportamental e de paradigma de que, só cometem crimes os menos favorecidos ou os criminosos habituais.

Em qualquer sociedade do mundo, por mais eficientes que sejam as suas normas de conduta, estruturadas e aparelhadas as suas instituições jurídicas, vamos encontrar comportamentos de desvios, como um verdadeiro fenômeno universal. O comportamento anômico que se revelou no Espirito Santo é um fenômeno que sempre existirá em qualquer sociedade pós-moderna e consumista.

A Divisão do Trabalho Social de Durkheim que foi o primeiro a usar a palavra “anomia” numa clara tentativa de explicação de certos fenômenos sociais, desenvolveu seu pensamento na sociedade moderna que para poder atingir os seus fins, inclusive de produção e sobrevivência, precisava  organizar-se, sendo que, a organização impõe divisão de trabalho ou tarefas; a divisão de tarefas produz especialização; a especialização ocasiona isolamento dentro do grupo, motivando, por sua vez, um enfraquecimento do espírito de solidariedade do grupo global; o enfraquecimento desse espírito de solidariedade acarreta uma influência dissolvente e, por via de consequência, o comportamento de desvio.

“A medida que o grupo cresce (…) na mesma medida, a unidade direta, interna, do grupo contra os outros se afrouxa e a rigidez da demarcação original contra os outros é amaciada através das relações e conexões mútuas. Ao mesmo tempo, o indivíduo ganha liberdade de movimento, muito para além da primeira delimitação ciumenta. O indivíduo também adquire uma individualidade específica para a qual a divisão do trabalho no grupo aumentado dá tanto por ocasião quanto por necessidade. (…) A vida de cidade pequena na Antiguidade e na Idade Média erigiu barreiras contra o movimento e as relações do indivíduo no sentido exterior e contra a independência individual e a diferenciação no interior do ser individual.

Essas barreiras eram tais que, o homem moderno não poderia respirar. Mesmo hoje em dia, um homem metropolitano que é colocado em uma cidade pequena sente uma restrição semelhante, ao menos, em qualidade. ”

Partindo de uma análise, em toda sociedade existem metas culturais a serem alcançadas, entendendo-se como tais os valores socioculturais que norteiam a vida dos indivíduos. e querem atingir esses objetivos e metas segundo os meios que lhes são propostos pela própria sociedade.

A Teoria das Estruturas Sociais de Robert Merton, contudo, demonstra que os meios existentes não são suficientes nem estão ao alcance de todos, acarretando, assim, um desequilíbrio entre os meios e os objetivos a serem atingidos.

Esse desequilíbrio entre os meios e as metas ocasionaria o comportamento de desvio individual (ou coletivo), pois o indivíduo no empenho de alcançar as metas que lhe foram sugeridas e não dispondo de meios para tal, buscaria outros meios, mesmo que contrários aos interesses sociais e às leis vigentes, gerado pelas oportunidades.

Sobre o autor

Camilo D´Ornellas

Responsável pela gestão de Segurança e Operações há mais de 25 anos com ampla experiência nacional e internacional. Dotado de elevada capacidade resolutiva com a habilidade em coordenar equipes e profissionais de alto rendimento, liderar com foco na obtenção de resultados e tolerância em lidar com situações de risco e de crise.
Carreira pautada em atividades de segurança privada e pública, desenvolvimento de planos específicos de gestão da segurança patrimonial, para expectadores, torcedores e clientes.
Articulador das ações integradas das áreas de segurança (Safety & Security) incluindo as instituições Federal, Estadual e Municipal na busca pela excelência de ações em termos de prazos, custos e qualidade.

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