Opinião do Especialista

A UPP, como solução da violência, já nasceu morta (Telius Memoria)

Publicado por Telius Memoria

Ter policiais num local, não é a mesma coisa que ter policiamento neste local. É que policiamento é uma atitude. Manter viaturas paradas não é policiamento. Este é pro-ativo, é aquele onde existe ronda, circulação, onde o policial procura a atitude suspeita e contra ela investe e não onde o policial espera a ação criminosa para então reagir. É isto que a nossa PM faz, infelizmente . Fui Chefe da Vigilância no Estado da Guanabara. Minhas viaturas circulavam em ronda, 24 hs por dia. Já tivemos oportunidade de tratar deste assunto com o atual comando da PM, que concorda, mas é difícil mudar uma velha atitude. A PM, contudo, já usou esta forma, no tempo dos Cosme e Damião. Contudo, o comum era atender chamados tipo rádio-patrulha. O mais eficiente é estender o patrulhamento no terreno, sob o comando direto e responsável por este terreno, de forma que diversos terrenos ocupem a área de um batalhão. Isto além de tornar mais imediato o bom resultado, permite ao comando local saber onde está a falha.

A UPP, como solução da violência, já  nasceu morta. É que só polícia jamais resolveria o problema de uma favela totalmente dominada pelo crime. Outras agências do Estado deveriam ter sido ali alocadas, desde logo, o que não aconteceu. Como os bandidos já estavam dominando a situação, o esperado era o tiroteio, que está acontecendo. E as vítimas só poderiam ser os moradores, era óbvio. Por que não, abrir ruas e praças numa favela como o Alemão? Poderia vir a ser um bairro, com Delegacia, hospital, etc. A favela é o melhor esconderijo e apoio do  bandido, todos sabemos. Ainda tem o escudo, o morador. Há muito o que falar.

Como está, o atrito das autoridades será permanente e cada mudança de comando é um tempo perdido. Agora, parece que o efetivo para cobrir tudo (UPP e patrulhamento) é pequeno.

Sobre o autor

Telius Memoria

TELIUS ALONSO AVELINO MEMORIA

Advogado

1965/66 - Delegado de Polícia e Comissário Chefe da Seção de Investigação da Delegacia de Vigilância do Estado da Guanabara (Autoridade Policial Civil)

1967/68 - Diretor da Penitenciária Professor Lemos Brito, da Secretaria de Justiça do Estado da Guanabara.

1972- Eleito Presidente da Associação do Ministério Público do Estado da Guanabara.

1972- Promovido por merecimento ao cargo de Promotor Substituto do Ministério Público do Estado da Guanabara.

1974- Promovido por merecimento ao cargo de Promotor Público do Ministério Público do Estado da Guanabara.

1975/78 - Nomeado Diretor-Presidente da Imprensa Oficial do Estado do Rio de Janeiro (empresa pública). Responsável pela organização do atual Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro. Dispensado a pedido.

1980/81 - Assistente do Procurador Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.

1981/83 - Assessor Jurídico do Secretário de Estado de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro.

1986- Promovido ao cargo de Procurador de Justiça, titular da 3ª Procuradoria de Justiça junto à 1ª Câmara do Tribunal de Alçada Criminal.

1996/2015 -Conselheiro da Associação Comercial do Rio de Janeiro, Membro do Conselho Empresarial de Segurança Pública , Ética e Cidadania.

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